Quando me perguntam o porque Filosofia, de imediato sorrio e respiro fundo. Esse ato tem sentido, não é fácil exteriorizar o que me é tão intrinseco e egoísta. Na resposta não devo ser direta demais, posto que nem para mim seria tão simples, também não posso divagar demasiado correndo o risco de não ser compreendida. Começo por expor meu interesse quase compulsivo pela mente humana, observo a reação do ouvinte, e se estiver em seu semblante o desejo de ouvir, prossigo. Logo chego ao que realmente me chama para a ciência filosofica: o que nos é comum, em se tratando de espécie. As reações são diversas, e essa é a beleza que encontro ao me permitir discursar sobre minha escolha: a diversidade. Abre-se aí um leque de paradoxos, infinitos conceitos, universais e individuais. Quando termino, tenho a singela impressão de ter causado algo de novo a quem me escuta, seja para a posterior reflexão, mesmo que ainda crua, seja para um sonoro "louca" e risos incompreensíveis. A meu modo, já me satisfaço. Não por completo, pois a grande maioria não sabe como me é excitante a Filosofia, e como seria excitante para tantas outras pessoas se assim se permitissem. Não tenho métodos exatos, não possuo ainda certeza de minhas razões, mas a análise do ser me é tão provocativa, inebriante, que concentro boa parte do meu tempo em ouvir, observar e captar cada detalhe do que não me pertence, não me cabe, não me diz respeito: o outro.
Sim, eu quero fazer Filosofia.